16 março 2016

O colecionador de Lágrimas



Um romance histórico-psiquiátrico, como o próprio autor diz, o colecionador de lágrimas busca a fundo nos fatos históricos, com sua compreensão da psique humana, não só investigar o ocorrido. Apresenta a história da segunda guerra mundial de uma forma capaz de elucidar os fatos como se estes permeassem o presente, sendo que os ocorridos realmente construíram uma ferida incurável no âmago da humanidade. A trama desta obra se apresenta fundamentalmente na vida de Júlio Verne, este é casado com Katherine, ambos formados em psicologia. 

Júlio após um acidente que o deixou algum tempo impossibilitado de atuar como psicólogo clínico, em seu leito, leu bastante para se apaixonar por história, em especial sobre a segunda guerra mundial. Posteriormente sua alta cursou história e especializou-se no tema da segunda grande guerra, e passou a ministrar aulas numa universidade de renome. Neste ponto, o autor propositalmente organiza seu enredo para apresentar sua teoria, teoria esta que instiga ao conhecimento, estimulando educadores a não serem “repetidores de ideias”. É fascinante como o autor nos aproxima de seu personagem, remete ao leitor a criação de um vínculo inevitável que se estabelece e vai crescendo, pois, a forma como ele terce suas falas traz uma linguagem poética e não cansativa.



 A trama da obra se desenvolve rapidamente porque logo aparecem os conflitos, Júlio passa a ter pesadelos com fatos reais que ocorreram na história, durante seus pesadelos ele entra no ambiente hostil da segunda guerra mundial e presencia atrocidades cometidas por soldados do exército nazista. Para piorar seu estado psíquico ele se ver como um soldado, de início. Logo ele que é um grande especialista e humanista declarado, que abomina qualquer tipo de ato que viole os direitos humanos. 

Quando acorda ele se culpa e “autoflagela-se” por presenciar coisas como aquelas e não intervir. Os pesadelos continuam e o leva aos cenários reais e quando acorda começa a ter dificuldades frente a realidade, e em volta, pessoas que o cerca na trama começam a acusá-lo de louco, psicótico e seu casamento começa a sofrer as consequências de uma possível psicopatologia. Aquecendo mais ainda a trama, além dos pesadelos nada comuns, fenômenos incomuns começam a acontecer como, personagens da segunda guerra, como por um passo de mágica aparecem e efetuam atentados contra a vida de Júlio. Suposições, hipóteses são levantadas e fervilham a trama. Neste espaço o autor encaixa as discussões sobre a segunda guerra mundial de forma bem detalhada com o aspecto impecável de Cury e apresentando o assunto sem perder a essência de um romance. 


O autor deixa uma máxima implícita neste livro que é a seguinte: Assim como feridas da alma que não foram tratadas podem atormentar o presente e impossibilitar um futuro saudável, atentados contra a humanidade que não foram compreendidos, mas negligenciados podem sufocar o presente contexto. O autor examina o inconsciente coletivo daquela época e observa o de hoje e as semelhanças são assustadoras. São fenômenos sutis que hoje ocorrem, pequenos detalhes. E por fim, a possibilidade de uma viagem no tempo é o tema que encerra o primeiro volume da obra.

Por Wellisson Santos
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